Bê-a-bá de mãe

Dicas, leituras, confissões, receitas e idéias para as mamães…

Archive for the ‘Consultoria em aleitamento’ Category

Amamentar no Canadá: minha experiência

19 Apr 2011 Por Andrea Vinet

3 anos, 3 meses e 1 dia. É esse o tempo que vem durando a minha maior e melhor experiência dessa vida: ser mãe. Minha filhota nasceu em uma quinta-feira, de um dia do calendário que até então eu detestava (17) de um janeiro frio, para não dizer congelante, do inverno canadense. Dia de tempestade de neve, claro!

Mas, não foi de parto que eu vim falar, e sim de amamentação. A minha segunda melhor e mais excitante viagem pelos dias da vida. Julie nasceu mamando. Bem, isso é modo de falar, todo mundo sabe. Ela nasceu e foi direto pro peitinho da mamãe. Claro, com a ajuda da minha enfermeir/parteira que não exitou em colocá-la no peito ainda com o cordão umbilical pulsando.

Amamentação para mim sempre foi algo lógico, natural, claro, e uma extensão do nascimento, me dizia eu, antes da experiência de engravidar. Foi quando comecei a ver “as outras cores da vida”, ouvir mães e más experiências a torto e a direito, e o pior, sem nem pedir. Aqui em Gatineau, pertinho de mim, no Brasil, em outros países.

Fato é que nesse tempo todo de amamentação, tive a oportunidade de amamentar minha filha em diversos locais, contextos e horários. Claro, de uns anos pra cá, isso se limita aos muros de minha casa, mas no primeiro ano de aleitamento, a coisa foi longe… das cataratas do Niagara aaté o Parlamento de Ottawa, passando pelos diversos shoppings, pontos turísticos, supermercados e prédios públicos. Dependia da fome dela.

Nunca, em tempo e em local algum, no Canadá, fui “convidada” a me retirar, a amamentar escondida em um vestiário ou num carro. Sempre fiz isso publicamente, não chegando a ser aplaudida, mas sem ser rechassada ou criticada, nem que seja pelo olhar. O percentual da população que amamenta o filho exclusivamente durante os 6 primeiros meses de vida (ou que pelo menos tenta amamentar) é relativamente alto no Canadá: 88%. O percentual da província onde moro está muito abaixo da Colombia-Britânica, por exemplo, onde podemos encontrar o mais elevado percentual. Mais de 94% das mães de lá amamentam seus filhos.

O estímulo começa nos cursos pré-natais (gratuitos e oferecidos pelos Centro Comunitários de Saúde), pelas “madrinhas” de amamentação – na verdade, voluntárias que trabalham como consultoras de aleitamento desde a maternidade até o fim do período exclusivo, estimulando, aconselhando as mães (o estímulo de todos ao meu redor foi tanto que acabei fazendo o curso e me tornando também consultora), os próprios médicos e parteiras, assim como as famílias locais e suas tradições. Dentre meus conhecidos e amigos, todos amamentaram seus filhos exclusivamente até os 6 meses e de modo prolongado até 1 ano, quando a licença-maternidade termina para a maioria das mães québequences.

As próprias escolas e creches estimulam também, respeitando a escolha da mãe em continuar a amamentar e permitindo que ela vá à escola várias vezes ao dia, se quiser, dar o seio diretamente, ou recebendo as mamadeiras (ou saquinhos) de leite materno congelado.

Respeito aqueles que não o fazem por uma questão religiosa, cultural ou pessoal, de vergonha. Mas eu, acho que sou descarada mesmo. Nunca nem atinei para a questão moral, já que não estava me expondo nua. Nunca tive vergonha, porque acho que não estava fazendo mal a ninguém, aliás, estava era praticando um bem maior… uma prova de amor, para a minha filha.

Saiba como acontece (ou não) a amamentação em outros países, acessando o site Mães internacionais, direto neste link aqui e  eu desejo uma excelente viagem ao mundo do leitinho materno em terras estrangeiras!

Parar de amamentar, por quê

2 Jan 2011 Por Andrea Vinet

Uma de minhas “afilhadas” (de amamentação) me ligou hoje, querendo saber o que fazer para cessar o aleitamento de seu filho de 5 meses. Sem querer fazer nenhum julgamento, mas já fazendo – e aqui, de forma não muito ética, reconheço – ela vai viajar para o exterior durante uma semana com o marido e precisa parar de produzir leite. Ok, Andrea, direito dela, ela faz o que quiser, como quiser.

No entanto, eu, como madrinha e conselheira tenho a obrigação de perguntar por quê, a razão de querer privar seu filho de mamar e quais são seus sentimentos em relação a isso. Por que preciso saber? Para julgá-la? Não, de forma alguma. Mas, porque existem várias razões absurdas que são invocadas para parar a amamentação inutilmente (ver em outro post os detalhes).

Ela, por exemplo, no começo da conversa me disse que já tinha pensado bem no assunto, já estava preparando essa viagem a meses e sabia que chegaria o momento de parar. Me disse que queria fazer gradualmente, em um mês. Tudo bem, dá para fazer, mas antes… você tem certeza disso? Disse-me que sim, sevrage (privação de leite) total . Conforme a conversa progrediu, descobri que ela não queria parar assim, do nada, mas que queri a se sentir melhor, menos mãe e mais mulher durante essa viagem com o marido. Não queria sentir leite. Aí, entendi tudo. Era temporário. Ela queria uma interrupção, uma pausa, nada definitivo. Na verdade bem verdadeira, ela queria continuar oferecendo o seio pela manhã, ao acordar e ao deitar, por muito tempo. Só não sabia que era possível.

Tudo esclarecido, orientações dadas, ela desliga, feliz da vida. Será mulher do marido dela durante uma semana, sem cheirar a leite, vai deixar seu filhinho mamando o leite maternizado que a vovó vai dar e quando voltar, vamos fazer uma relactação. Acordo feito.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape