Bê-a-bá de mãe

Dicas, leituras, confissões, receitas e idéias para as mamães…

Archive for the ‘Minhas histórias’ Category

Marie e Loïc – uma história de amor

25 Feb 2010 Por Andrea Vinet

Marie esperava um bebê saudável, lindo e grande. E foi o que aconteceu, só que antes da data prevista. Um repuxão nas costas, uma pontadinha no baixo ventre e pronto, uma aguinha descendo pelas coxas. A bolsa estourou aos sete meses de gravidez. E lá fomos nós todos, os amigos, visitá-la em casa, onde Loïc nasceu saudável, lindo e grande como previsto.

Apesar de ser prematuro, nasceu com bons pulmões, gritando aos quatro cantos que estava ali, bem e feliz. Apareceu no hospital, para um check-up dos pulmões, do estado geral e foi liberado. Nem precisou de incubadora, nem de raios ultra-violetas pra icterícia, nem nada. Forte e comilão, mamava feito um glutão e dormia bem.

Ah, dormir ele gostava sim. E sempre de barriguinha pra cima, como manda o figurino dos bebês saudáveis. Só que ele acabava sempre se “virando” e dormindo de bruços, mas ele mesmo dizia, “é só um pouquinho, mamãe”. Marie sempre ia lá, mudava de posição e o sono continuava. Comia bem, sorria a todos, menino sociável.

Mas, quis o destino, que um dia, durante o sono, Loïc se apagasse. Mamãe o colocou pra dormir, depois do banhinho gostoso, do peitinho e dos arrotos. Tudo dentro dos conformes, sem transtornos, sem choro, ele dormiu. E não abriu os olhinhos quando chegou a hora de terminar a soneca. Marie se preocupou com a demora, mas achou que ele estivesse cansadinho. O tempo passou, minutinhos a mais e nada. Até que o coração da mãe doeu e ela resolveu dar só uma verificadinha.

E que dor foi aquela! Encontrar seu bebezinho lindo e saudável, de olhinhos fechados, sem querer abrir. O que fazer e o que sentir? Como mãe e amiga de Marie, só posso dizer que não consigo aceitar isso. Parece-me inconcebível uma dor como essa, uma visão como essa. Um bebê de 4 meses que morre dormindo… sabe-se que muitos fatores entram em jogo nessa hora, a saúde do bebê, o ambiente onde dorme, o berço, a circunstância toda. Mas, do ponto de vista racional, isso conta. Na hora de falar em sentimentos, a dor é sem explicações…

 

Vitória! Vitória!

E mais uma vez a amamentação livre, pública e sem receios ganha a partida. Isso me regozija !

Em maio desse ano, um caso deu muito o que falar aqui pelas bandas da Terra do Gelo (Gatineau – Québec, Canada) : uma mãe amamentou em público ! Ainda bem que o que causou o burburinho todo não foi o fato de amamentar em público em si, mas o processo que ela fez contra o município ! Isso mesmo, a danadinha da mulher tascou um processo contra a municipalidade e ganhou.

O que aconteceu exatamente foi que Nathalie Gagnon, meu novo ídolo em matéria de mãe (uns 200 lugares depois da minha própria mãe, mas tá valendo), foi gentilmente « convidada » a ir para o vestiário, porque estava amamentando seu filho na beira de uma piscina pública municipal aqui em Gatineau. Ela, por sua vez, recusou o « convite » e deu queixa junto à Comissão de Direitos Humanos ligada à Prefeitura local.

Obviamente, a Prefeitura se rendeu aos argumentos da mãe de família e lhe deu ganho de causa hoje. Mas, não foi só isso… além de ganhar a admiração local, pela bravura e pela persistência, Nathalie conseguiu que todos os locais públicos (bibliotecas, museus, piscinas, parques e etc) tivessem seus regulamentos internos modificados e incluíssem, claramente, a permissão para que as mães pudessem amamentar em público sem receios, restrições ou vergonha.

Fora isso, uma pequena e simbólica compensação financeira e uma carta de pedido de desculpas. Igualzinho por aí, né ? Quantas vezes já vi (e ouvi) histórias escabrosas sobre  mães que tiveram que amamentar seus filhos em banheiros públicos, escondidas no carro, atrás de algum balcão só porque estavam em locais públicos.

Eu não sei não, respeito aqueles que não o fazem por uma questão religiosa, cultural ou pessoal, de vergonha mesmo. Mas eu, acho que sou descarada mesmo. Nunca nem atinei para a questão moral, já que não estava me expondo nua. Nunca tive vergonha, porque acho que não estava fazendo mal a ninguém, aliás, estava era praticando um bem maior… uma prova de amor, para a minha filha.

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