Bê-a-bá de mãe

Dicas, leituras, confissões, receitas e idéias para as mamães…

Archive for the ‘Palavra de Pai’ Category

Brincos em recém-nascidos

3 Jun 2010 Por Andrea Vinet

Meu marido não me deixou furar as orelhas de nossa filha ao nascer. Ele foi contra. E eu entendo o porquê. Culturalmente, na França, não se faz isso. Crianças só furam as orelhas já adolescentes, mais velhas e quando podem, em geral, decidir por elas mesmas.

No Brasil, eu sei que temos o hábito de furar as orelhinhas das meninas ainda recém-nascidas, às vezes, ainda na maternidade. O ideal é fazer isso com um professional, ou seja, uma enfermeira na maternidade ou um farmacêutico na farmácia da esquina. Mas, tem que ser por alguém que saiba o que está fazendo, sobretudo para não acertar uma zona mais delicada ou simplesmente, fazer um furo torto – uma orelha mais baixa que a outra.

Tem gente que fura (manda furar) com o próprio brinco (como se fosse uma agulha) ou com uma máquina especial, mas que faz mais barulho perto da orelhinha sensível do bebê e pode assustá-lo. Tem gente que acha o pino da máquina muito largo, mas é um padrão. É o tamanho certo para os pinos dos brincos, de recém-nascidos e adultos. Não precisa se preocupar que fique largo demais, a orelha é uma parte do corpo que não pára de crescer, e o buraco vai se adaptar ao crescimento.

Minha filha ganhou um par de brincos lindíssimo de uma amiga nossa, mas não pôde usar. Já sabendo desse posicionamento do meu marido contra o uso de brincos por bebês, minha família só nos deu jóias do tipo, pulseirinha, cordão (para crianças mais velhas), pingentes, etc. Resultado: um braço cheio de pulseiras e nada nas orelhas. Risos.

Eu aceitei numa boa. Entendo o pensamento dele, que não quer uma “adultização” precoce, nem no uso de bijouterias, nem roupas de adulto em tamanho de criança. E aí, concordo mesmo com ele. Tem coisa mais feia que uma menina vestida de mini-adulto?

Mas, tem que ter cuidado para não inflamar, tem que limpar bem e trocar o brinco de vez em quando, sempre deixando o buraco “ocupado” para não fechar.

A descoberta de um pai

20 May 2010 Por Andrea Vinet

Segundo a psicologia, as primeiras pesquisas sobre o apego e as interações com os bebês sempre foram em torno das relações mãe-filho. Mas, os estudos reconhecem, cada vez mais, o papel importante do pai. Os bebês e os adultos foram feitos para criar laços; os adultos são atraídos pelos bebês, pelo olhar atento, pelos belos sonzinhos que fazem; até o formato do rosto é lindo. Da mesma fora, os bebês se interessam pelos adultos e, pais e mães mudam naturalmente a voz para adotar um ritmo que agrade à criança – é aquela hora em que começamos a falar feito neném. É a tentativa de “sedução” do adulto.

Quando eu estava grávida, sempre me perguntava se meu marido iria me ajudar com o bebê quando ele nascesse. Não que eu tivesse medo de que ele fosse “ausente” ou não estivesse nem aí, não é isso. Na verdade, eu queria vê-lo enfrentar a rotina diária, dar banho, comidinha, cuidar quando ficasse dodói. Morria de medo de pensar que maridex seria apenas para as brincadeiras. E, por um bom tempo, foi isso. Ele “tinha medo” de enfrentar certas situações da rotina de nossa filha, como dar a papinha (quando foi hora de começar) e ter que colocar na cama.

Com o passar do tempo, ele foi se acostumando com a rotina dela, com as necessidades diárias que ela tinha. E eu fui, pouco a pouco, abrindo mais espaço para ele. Afinal, eu passava o dia com ela em casa (minha licença-maternidade durou 1 ano  e 2 meses depois do nascimento) e ele, no trabalho. Quando chegava, tinha apenas duas ou três horas com ela, antes do soninho.

Na relação pai-bebê, o tempo é, em geral, a dimensão mais crítica da coisa. É evidente, tanto para o pai como para a criança, que é importante passar um tempo juntos. Com isso, eu não quero dizer muito tempo, em quantidade, mas um bom tempo, em qualidade. Se o pai trabalha o dia inteiro fora, e só tem duas horas por dia para se dedicar ao filho, à noite, isso não é problema algum. Será o tempo deles juntos, e será tempo suficiente para criar laços reais e profundos.

Mas, uma coisa é certa: o pai deve participar e não é só com brincadeiras.

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