Bê-a-bá de mãe

Dicas, leituras, confissões, receitas e idéias para as mamães…

Archive for the ‘Papai & Mamãe’ Category

Adoção não querida

19 Mar 2011 Por Andrea Vinet

Andrea, a adoção é algo que não me interessa.  Essa frase caiu feito uma bomba no meu peito frágil. Doeu tanto, que ele nem pode imaginar quanto. Ouvir aquilo da pessoa que você ama e com quem você está construindo uma família dói, faz mal, magoa e machuca.

Não somos um casal com problemas de reprodução, GAD, e não precisamos fazer uso de nenhuma técnica reprodutiva para termos nossa filha biológica. Não passamos por nenhuma fase estressante e angustiante de tentativas para engravidar, seja em laboratório, seja pelo método tradicional. Não estamos a anos tentando, sofrendo e desgastando nossa vida conjugal à espera do filho esperado. Somos um casal, eu gostaria de dizer banal – mas aí, lembro dos muitos que estão a anos sem conseguir – que transou, engravidou e deu sequência à gravidez com saúde, tendo o prêmio esperado no final, a flha querida.

A adoção sempre esteve em meus pensamentos, de menina, de mulher e agora, de mãe biológica. Sinto um desejo, dentro de mim, de abrigar mais uma criança em meu peito, sem que ela tenha vindo necessariamente de meu ventre. Quero dar a outra metade do amor que preenche meu coração de mãe a uma criança, ou a outras. Sinto esse desejo a tempos, e o sinto tão forte em mim, que chego até a visualizar esse momento.

Sei de todas as implicações psicológicas que uma atitude dessa implica na vida de uma família, de um casal, na cabecinha de um filho “biológico”, mas acho que deve-se pensar (muito) mais nas implicações disso na vida desse serzinho que está agora, em algum abrigo, sem pai nem mãe, sozinho no mundo, querendo e esperando por um afago, um carinho e o amor de uma mãe, de uma irmã, de uma família. Imagine só a alegria que nós traríamos para a vida dele, e ele, para a nossa!

Mas, a tal frase, proferida por meu querido marido, jogou-me um balde de água fria. Por hora, parei de tocar no assunto, mas não desisti. Guardarei o projeto de vida na gaveta mais uns dias, e voltarei a falar com ele.

Por que sair (tão cedo) sem meu bebê?

8 Aug 2010 Por Andrea Vinet

Meu post sobre sair sem nosso bebê criou uma certa “polêmica” num grupo onde participo . Não imaginei que esse assunto fosse dar tanto pano para manga… gostei dos comentários (TODOS, diga-se de passagem), até mesmo dos que me criticaram até morrer… tô brincando… me fez ter certeza absoluta que somos todas grandes mamães!

Bem, não querendo me explicar, nem me justificar – afinal cada um faz da vida o que quer, não é mesmo? – vou aqui descrever um pouco melhor a situação que me fez sair de casa e “abandonar” minha filha aos 20 dias de idade.

Como disse no email, moro em outro país, sem pais, sogros e aderentes. Portanto, nada de folga de deixar bebê, criança ou gato com alguém enquanto vai ali, seja no restaurante, seja na festa. Minha querida mãe – única babá no mundo em quem eu confio – afinal me criou maravilhosamente bem, sabe o que está fazendo e faz bem (melhor do que eu, suponho, visto a experiência), estava passando alguns dias conosco e curtindo a neta.

Meu marido e eu, nem somos tanto assim de sair, somos até bem caseiros, mas achamos importante usar 2 horas da nossa vida para estarmos juntos, conversando e nos curtindo, longe do ambiente caseiro. Foram duas horas mesmo, entre a saída do apartamento e a abertura da porta na volta. Fomos a um restaurante perto de casa, acessível de carro, a pé, de táxi e de helicóptero, se fosse o caso de um resgaste , com um atendimento supimpa, dentro do tempo esperado.

Por que não levei nossa filha junto (e minha mãe também)? Porque achei muito mais lógico deixá-la em casa, protegida do mundo externo, das bactérias e do contato com muitos adultos, barulho e ate, tão novinha. Achei que seria muito mais cuidadoso de minha parte deixá-la em casa, no quentinho do lar, ao invés de cobri-la completamente para enfrentar – sem nenhuma necessidade- o frio de menos 35 graus que deveria estar fazendo essa noite de inverno do mês de fevereiro no Canadá, a Terra do Gelo, como eu chamo.

A saída nem foi tõa boa assim, porque passamos o tempo todo falando na Julie, na nossa mudança de vida, na nossa felicidade de ter uma pequenininha na nossa família. Voltei a tempo de amamentar, assim que ela acordou do soninho entre as mamadas, tudo dentro do conforme. Não acho que fiz mal. A próxima saída sem ela foi quando minha mãe veio de novo, e ela tinha 1 ano e 2 meses. Não acho que fomos pais maus, desleixados ou irresponsáveis. Pelo contrário, acho que fiz uma coisa sem maldade nenhuma, por nós mesmos, os pais, durante 2 horas. Não a deixei sozinha, sem supervisão, sem cuidados nem sem leite. Não a expus ao frio, nem às bactérias do mundo externo, nem atrapalhei seu sono. Acho que fui mãe e mulher, ao mesmo tempo, de uma forma que não me fez mal a ninguém.

Fora esse episódio, não saimos sem nossa filha pra nada. Desde o seu 1º mês completo, saímos com ela para todos os lugares: restaurantes, festas, cinema, bares, festivais, shows, supermercados, feiras, oficina, etc. Ela vai para onde vamos e gosta. Super social, se sente à vontade pode onde passa. Fazemos bem? Só o coração de cada pai/ mãe sabe a resposta.

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