Bê-a-bá de mãe

Dicas, leituras, confissões, receitas e idéias para as mamães…

Minha gravidez no Canadá

17 Feb 2009 Por Andrea Vinet

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Descobri minha gravidez num domingo lindo de sol aqui no Canadá, no mês de abril – primavera começando, temperaturas subindo, lá pela 6a semana. Maridex e eu tratamos logo de avisar TODA a família da novidade maravilhosa (por telefone, claro), e quase ficamos surdos de tantos gritos altos de felicidade.

Tive uma gravidez tranqüila, sem problemas, feliz. A única coisa que realmente perturbou meu humor foram os enjôos “de querer morrer” até a 16ª semana de gestação. Não conseguia nem chegar perto da porta da cozinha, vomitava tudo que comia e não comia também, várias vezes ao dia. Quando acontecia de alguém subir no ônibus comendo alguma coisa, ao invés de me dar desejo de comer também, me enjoava. E aí? Lá ia Andrea TER que descer do ônibus para não vomitar em todo mundo. Emagreci sete kilos. Um caos!

No início de minha gestação, na primeira ecografia, o colo do útero tinha sido avaliado como muito curto para o tempo gestacional, e recebi recomendações de ficar atenta a isso. Aí, fizemos um recesso sexual de alguns dias, nada mudou. Resolvi então, investir na minha vida amorosa e, nada mudou também. Nenhuma alteração física e interna. Resultado: voltamos à vida normal de casal grávido. A única coisa chata é que passei um tempão tomando o maior cuidado (até de espirrar!) com tudo por medo de não estar sendo “prudente” o suficiente.

Bem, esqueci o colo uns tempos e voltei a sorrir. Continuei trabalhando numa boa até 8 meses e meio, saindo, correndo atrás de ônibus e subindo escadas – trabalhava no 4o andar sem elevador – e as montanhas de neve das ruas. Sim, porque minha gravidez tinha que pegar umas tempestades de neve e acontecer exatamente no ano em que o Canadá bateu recorde de neve acumulada em solo (mais de 4m aqui em Ottawa), claro!

Na última ecografia (só fizemos 3 ao longo da gestação), meu colo do útero estava lá, durinho, firme, comprido. Não tinha reduzido nadinha… Será que ficamos atentos demais e o colo não amadureceu como deveria? E aí, deveríamos esperar até quando?

Quando completei 39 semanas de uma gravidez sem problemas e nem alarmes falsos de um parto prematuro (como tinham me avisado alguns “(des)entendidos” em colo), cheguei de minha consulta com o obstetra, a última na minha cabeça, bem angustiada. Estava sem apagamento nenhum e pressão arterial elevada. No Canadá, pelo menos na minha província do Québec, ao completar as 39 semanas, vai-se ao GO a cada dois dias, pra acompanhamento físico e psicológico (amei essa parte! Ia lá e metia a falar…).

Apesar de estar num país onde o PN é extremamente incentivado e o percentual de cesáreas (de risco, de urgência e desnecessárias) é de 17,6%, segundo a OMS, senti que meu GO maravilhoso iria me sair com uma proposta indecorosa: a tal cesárea. Voltei pra casa triste e já ligeiramente decepcionada. Nove meses de leituras, preparo psicológico e físico, sonhos e desejos de um parto normal (quase) jogados pela janela. Não queria, de forma alguma, evoluir para uma (desne)cesárea…

Liguei pra minha sábia vozinha, mãe de 12 (PNs), e ela me perguntou sobre a barriga baixa. Essas crenças de interior, gente antiga, como ela mesma diz. Pois é, a bendita baixou no dia seguinte. Aí, seguindo o que ela havia dito, o bebê chegaria em 15 dias…

Voltei pra casa e não me deixei abater. Vários telefonemas começaram a se seguir fazendo a indefectível pergunta – E aí, quando nasce? Já nasceu? Resolvi o problema baixando o volume da campainha e ativando a secretária eletrônica. Não respondia nem pro Papa! E assim foi… aproveitei para ir passear com minha mãe (que veio passar dois meses conosco na Terra do Gelo), ir ao cinema, fazer scrapbook. Passei dias fazendo isso… e verificando a pressão, que, de fato, andava bem elevada.

Quando completei as 40 semanas, não nego, estava ansiosa. Era a DPP (data prevista do parto – 11 de janeiro) e nada! Tudo mais que pronto (a um ponto em que eu estava desfazendo pra fazer de novo pra ver se o tempo passava mais rápido e o momento chegava) e nenhum sinal de contração. Pressão lá em cima… decidiu-se que se até a quarta-feira, dia 16 de janeiro, eu não entrasse em trabalho de parto, ele, o GO, iria induzir.

A partir desse momento, mudei. Pra quem andava calminha, apesar da ansiedade, eu virei uma onça!

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