Bê-a-bá de mãe

Dicas, leituras, confissões, receitas e idéias para as mamães…

AÇÃO MOVIDA PELA PARTO DO PRINCÍPIO

27 Aug 2010 Por Andrea Vinet

PRIMEIRO RESULTADO DA AÇÃO MOVIDA PELA PARTO DO PRINCÍPIO FRENTE AO MPF EM 2006. ESTA CONQUISTA É MUITO IMPORTANTE PARA AS MULHERES E PARA NOSSA REDE (PP).  

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO ESTADO DE S. PAULO
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

24/08/10 – MPF-SP ajuiza ação civíl pública para que ANS seja obrigada a regulamentar serviços obstétricos privados.    Após três anos de debate, órgão entra na Justiça para conter o elevado índice de cirurgias cesarianas no país; estudos mostram que o procedimento oferece maiores riscos à mãe e ao feto, em comparação ao parto normal.   O Ministério Público Federal em São Paulo entrou com ação civil pública para que a Justiça condene a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a expedir, dentro de um prazo a ser definido, uma regulamentação dos serviços obstétricos realizados por planos de saúde privados no país. O objetivo é que a regulamentação leve a uma diminuição ou evite a realização de cirurgias cesarianas desnecessárias.

A regulamentação, a ser promovida pela ANS, deverá determinar às operadoras de planos privados de assistência à saúde que forneçam a seus beneficiários, a pedido destes e em prazo fixado pela própria  agência, os percentuais de cesarianas e partos normais executados pelos obstetras e hospitais remunerados pela operadora no ano anterior ao questionamento.
No documento, a ANS também deverá definir, segundo seus critérios técnicos, um modelo de partograma e estabelecê-lo como documento obrigatório a ser utilizado em todos os nascimentos, sendo esta a condição para o recebimento da remuneração da operadora. Além disso, o texto deve determinar a utilização do cartão da gestante como documento obrigatório.
O MPF pede que a regulamentação a ser estabelecida obrigue as operadoras e hospitais a credenciar e possibilitar a atuação dos enfermeiros obstétricos no acompanhamento de trabalho de parto e do parto propriamente dito.

A regulamentação ainda deve criar indicadores e notas de qualificação para operadoras e hospitais específicos, visando à redução do número de cesarianas e a adoção de práticas humanizadoras do nascimento. Por fim, o documento deve estabelecer que a remuneração dos honorários médicos a serem pagos pelas operadoras seja proporcional e significativamente superior para o parto normal em relação a cesariana, em valor a ser definido pela ANS.

A ação surge para proteger os direitos dos consumidores usuários de planos de saúde privados e permitir que obtenham informação adequada sobre a prestação de serviços médicos obstétricos, oferecendo, assim, às mulheres gestantes e parturientes, melhores condições de nascimento de seus filhos pela via do parto normal. Nessa situação, evita-se a realização de cirurgias cesarianas contra a vontade da mãe ou sem que haja uma indicação médica prévia para tal operação.

REPRESENTAÇÃO
- A ação surge na esteira de um debate de mais de três anos, quando o MPF instaurou a representação n.º 1.34.001.004458/2006-98, tendo como objetivo apurar as causas do elevado número de cirurgias cesarianas realizadas na rede privada de saúde, bem como obter medidas para reverter o quadro.
A tramitação da representação gerou um debate extenso junto aos principais atores diretamente interessados na questão e permitiu desenhar o panorama do parto na rede privada de saúde no país.

Dentre as conclusões a que o MPF chegou, está a que diz respeito às elevadas taxas de cirurgia cesariana praticadas no setor privado de saúde, consideradas acima do recomendado pela OMS e que não encontram similar em qualquer outro lugar do mundo, segundo dados fornecidos pela própria ANS.
Para o MPF, todos os estudos desenvolvidos sobre o tema levam concluir que a realização de uma cirurgia cesariana implica em maiores riscos de morte materna e de morte fetal, em comparação ao parto normal, além de outras complicações. A opção pela realização da cirurgia justifica-se unicamente se existirem outros riscos para
o nascimento por parto normal, que sejam maiores e mais graves que os gerados pela cesárea.
Ao longo do trabalho investigativo, o MPF apurou, também, que o problema da excessividade do número de cesáreas é reconhecido pelo poder público, assim como por todos os demais setores envolvidos. No entanto, nenhum órgão ou entidade compareceu aos autos, aos eventos e a reuniões ou sequer apresentou documentos para defender a legitimidade e o benefício em se manter a taxa de cesárea do setor supleme ntar de saúde em 80% dos nascimentos.
Segundo apurado pelo MPF, as políticas até hoje adotadas para a modificação desse quadro são exclusivamente voltadas para a promoção de campanhas de esclarecimento a população, sem obtenção de resultados. Levando-se em consideração o aumento das cesáreas ao longo dos anos, o órgão aponta a ineficácia de todas as estratégias existentes até o momento para lidar com o problema.

O MPF também constatou que as altas taxas de cesáreas existentes no setor privado de saúde devem-se ao fato de que a maioria dos médicos que realiza partos e é remunerada pelo plano de saúde não pratica partos normais, devido a demora para a realização do procedimento cirúrgico e ao fato de a remuneração para ambos os procedimentos ser a mesma, tornando-se financeiramente interessante optar pela cesárea.
A partir de documento produzido pela ANS, observa-se também situações em que a paciente se submete à cesárea por força da insegurança criada na mãe pelo médico, que a convence de que o parto normal supostamente oferece mais riscos
Para ler a íntegra da ação:
http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/pdfs-das-noticias/Inicial%20-%200017488-30.2010.4.03.6100_cesarianas.pdf/at_download/file

Convidamos algumas mães para participar de nosso blog, postando seus relatos de parto (seja ele qual for: normal, natural, hospital, domiciliar, cesárea, gemelar, etc) e os depoimentos sobre amamentação – extremamente importantes, para orientar futuras e recentes mamães com suas experiências.

O relato a seguir é da nossa convidada Débora Quitete, médica veterinária, mãe do Mateus, que mora em Vargem Grande – RJ, casada com Leonardo, Piscicultor. Eles estão juntos a 12 anos e se conheceram na faculdade (UFRRJ), onde começaram a namorar e não se separaram mais. Desde que Débora se entende por gente, é a favor do parto normal.  

Trabalho de parto:

Léo chegou 7 e pouca e já estava de 2 em 2 min. As contrações foram ficando cada vez mais fortes. Ele colocou o som com as músicas que havíamos programado para o momento. Fomos  para o chuveiro, que era muito bom para aliviar a dor no quadril. Enquanto a água quente batia nas costas, eu me agarrava no Léo durante a contração. Depois fiquei no quartinho do Matheus, na cadeira de amamentação até a Helô chegar. Acho que ela chegou umas 22:00. Eu estava em outro plano. Me concentrava de tal forma que saí da Terra. Eu falava pra mim mesma que não ia doer, que eu ia aguentar, que meu filho ia nascer e falava com ele também para lembrar do nosso trato. Combinamos de ajudarmos um ao outro para o melhor para nós dois. Acho que funcionou.

Quando Helô chegou eu já estava em transe. Olhei para ela e depois fechei o olho de novo. Eu estava confiante que tudo daria certo desde o início. E a presença dela só me deu mais segurança. O Léo ficou lá embaixo. Eu preferi ficar sozinha. Durante as contrações o que mais me incomodava era a dor nas costas. Umas fisgadas na bacia. A bolsa foi liberando líquido conforme as contrações evoluiam. Eu percebia que algo estava abrindo dentro de mim. Eu imaginava que era o colo. Quando a dor se tornava controlável, passava para um estágio mais forte e eu precisava me concentrar mais para lidar com ela. Eu não gritava(ainda), eu fazia muitas caretas e gemia (ai, ai, ai; ai  Jesus!!!). Às vezes eu abria os olhos e via a Helô na dela. Eu queria ficar na minha, sozinha e ela percebeu isso. Eu estava em outro plano. Não pertencia mais a este mundo.

Algumas vezes tentei mudar de posição levantando para andar mas parecia pior. Me apoiei na barra, de joelhos no chão apoiada na cama, em pé, mas nada era melhor que a tal cadeira de amamentação.

Chegou uma hora que as contrações estavam muito intensas e fiquei sem controle. Doía bastante e Helô dizia que era outra fase, que ia passar. Foi quando ela decidiu fazer o toque. O foda era que tinha que ser comigo deitada e essa era a pior posição, mas eu não tinha opção. No intervalo deitei na cama e ela tocou. Veio a contração, eu travei as pernas e foi foda…….!!!!!!!!!Quando ela disse ótimo! 8 de dilatação, fiquei mais certa de que tudo estava correndo bem. Eu sabia que estava, sentia, estava tranquila. A Helô falava: se entregue, relaxe que vai acabar mais rápido. Eu tentava, mas era difícil.

Comecei a sentir a sensação de fazer força. Algo querendo ser expulso involuntariamente. Me assustei um pouco. Eu sabia que o tempo na cadeira estava acabando e eu precisava de outro lugar onde pudesse permanecer “no controle”. Levantei de novo mas estava difícil. Até que pedi para ir para o chuveiro e a Helô decidiu montar a piscina. Enquanto isso fiquei na cadeira. Iniciou o expulsivo. Sentia contrações de expulsão que doíam diferente. Comecei a emitir gritos. Bem, disseram que foram discretos, mas para mim, na hora foram fortes e altos. Intensos com certeza. Finalmente a piscina ficou pronta e pude entrar ( Léo ralou! Subia com baldes de água sem parar até encher bem a piscina e manter temperatura da água quente ). Foi a melhor coisa! Água quentinha e  escurinho. Ali fui me ajeitando. Tentei ficar de cócoras mas cansei logo, depois fiquei sentada, só que escorregava, e de lado foi melhor, por fim descobri que de quatro era a melhor posição.

Eu fazia força, muita força para meu bebê sair pela minha vagina. Eu sentia que ele forçava para descer e que ia descendo bem devagar. Eu estava cansada, ofegante, bebia água toda hora. Os intervalos entre contrações eram maiores e podia “descansar” e respirar. Tinha momentos em que eu falava: Helõ, me ajuda! E ela com sua vozinha, dizia: calma, vai passar! Não tinha mais o que fazer. Era respirar e fazer força a cada contração. Sentia ele descendo até que a Helô disse que a cabecinha estava apontando. Coloquei a mão e senti o cabelinho. Foi a sensação mais incrível!!! Fico  lembrando disso direto! Era  ele, meu esperado filho que estava ali, bem mais perto de mim agora. A cada força eu imaginava ele saindo. Primeiro a cabecinha saiu, que alívio!!! Eu fiquei um pouco preocupada na hora achando que poderia machucá-lo. Bobagem minha. Levou mais um tempinho e saiu o corpinho. Pronto, saiu meu filho dentro d’água e veio logo para o meu colo.

Inacreditável! Era tudo real. Eu tinha conseguido! Meu filho nasceu em nossa casa como planejamos! Quanta emoção! Meu bebê era muito lindo, com os olhos arregalados! E nasceu ao som de Bob Marley!!!

Léo veio me levantar e nós três juntos fomos para o quarto onde me deitaram na cama. Matheuzinho logo pegou meu peito. Léo cortou o cordão e arrumou ele depois do seu primeiro banho de balde.

Ficou um ambiente gostoso, quente, mágico. Acabava de acontecer algo muito especial ali: o nascimento do meu filho. Nasceu dia 20/09/2007 ás 02:40 com Apgar 09/10 cheio de saúde.

NOTA:

No final da gravidez sonhei com todo o parto e o interessante é que no sonho, ele nascia na água, numa piscina olímpica, onde eu estava de costas apoiada na borda e o Matheus tinha um sinal no rosto. Ele nasceu na água, eu de costas e tem um sinal na perninha!

Agradecimentos:

Primeiramente ao meu marido Léo que me apoiou desde o início respeitando minha escolha e vestindo a camisa 100%. Foi em todas as consultas de pré-natal, exames e se manteve presente em toda gravidez. Chu, te amo mais que nunca! Você é nota 10!

A Heloísa , Parteira, que fez um pré natal incrível, me preparando para este parto tão especial. Me ajudou a passar por esta transformação onde me tornei muito mais mulher, me respeitando mais e vivendo melhor com meu marido. Valeu Helô! Você é especial em nossas vidas para sempre!!!

A Maysa, Parteira, que esteve presente no pré- natal e no parto também. Não tivemos uma relação tão intensa mas temos uma afinidade que surgiu desde a primeira vez que falei com ela ao telefone. A voz que conforta e acalenta. Obrigada por tudo!

A mim mesma por me permitir.

A todas as mulheres:

Todas nós somos capazes. É só nos permitirmos. Precisamos nos amar e respeitar primeiro para que as outras pessoas nos ame e nos respeite.

Temos o direito de escolha para nossas decisões e o parto é algo muito importante para deixarmos que decidam por nós. Temos que seguir nosso instinto, resgatar esse poder que está ficando para trás.

Amo todas vocês!!!

Débora

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Alguém quer partilhar a experiência?

Agradeço antecipadamente. E peço que as interessadas  me mandem, por email quando puder, é claro -  o seu relato de parto e/ ou depoimento  de amamentação com os seguintes dados:
 
- o nome que vc quer que eu coloque no blog (completo ou não);
- informações suas, tipo profissão/ ocupação e idade dos filhos
- tempo de aleitamento
 
Enviarei um email avisando da data em que esse relato/ depoimento será postado no site, assim como o link para ele.
 
Obrigada, mais uma vez!

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